ARTE NÃO É SEXO EXPLÍCITO…

ARTE NÃO É SEXO EXPLÍCITO …
Lacan falava da pulsão no olhar. Pulsão é o que não entendo. Vejo o avião no céu, no entanto, pode ser que ele caia. O pânico é do que não controlo ao voar. Isto é a pulsão. Vejo o quadro, mas não vejo o que está por detrás da paisagem. Pouco sabemos sobre nossas pulsões. Podemos falar, conceituar e teorizar a pedofilia, a necrofilia e a zoofilia. Quando ouço, quase sempre nunca é de mim que se diz, mas sempre do outro. Quando vejo é diferente. Quando vejo, não tenho escolha. O que vejo adentra em mim. Quase nunca ouço as minha pulsões. No entanto, existe pulsão em tudo que vejo. Elas estão está sempre lá: escancaradas ou camufladas. Quando conceituo a pedofilia, não é da pedofilia que falo. Minha palavra recorta e mostra só o que quero. Fora que nunca falo de mim: falo é do pedófilo. A palavra não toca a pulsão. Só a arte toca a pulsão. Só a arte traz a pulsão. Só a arte escancara a pulsão. A arte nos faz um favor quando trata de quem somos – sem rodeios. A arte é pele, carne e osso. Quem não tem suas pulsões bem resolvidas, certamente, ficará excitadíssimo ao ver um cena, uma escultura ou um quadro de pedofilia, zoofilia ou necrofilia. A arte quer nos tocar em nossas pulsões e não em nossas razões. A arte quer saber o que vamos fazer com isso. A arte não é para qualquer um. Zero para a covardia dos nossos intelectuais e doutrinadores. Dez para a coragem e a ousadia dos nossos artistas. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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