QUANDO AS PESSOAS COMEM PARA MORRER?

Comer não é só da ordem da necessidade. Somos necessidade e desejo. Ninguém come só para saciar a fome do corpo.

Nós, seres humanos, comemos, também, para satisfazer certas frustrações. Quase tudo o que fazemos traz consigo algo do nosso inconsciente.

A justificativa pode até ser boa. No entanto, não vivemos só de justificativas. Aliás, se justificamos, é para provar, para nós mesmos, só o que queremos. E se precisamos provar é porque não era bem isso o que gostaríamos.

Como explicar um obeso extremo? Como entender os bulímicos e anoréxicos? Essas pessoas são a maior prova de que comer não serve só para viver. Comer pode servir – também – para morrer.

Do mesmo modo, tudo o mais, pode, também, servir para finalidades esquisitas.

Só conseguimos nos ver pela metade. A outra metade, ainda que bizarra, pode até ser condenada – o que não significa que não possa ser desejada. Uma coisa é a razão e outra é a emoção.

A primeira é a que mostramos. A segunda é a que recalcamos. Recalcar não é deletar. Recalcar é represar. Tal represa pode vazar a conta gotas ou pode explodir de uma só vez e à qualquer momento.

Quanto maior a força da pressão a favor, maior a força da pressão ao contrário. O modo de contenção é proporcional à força da explosão. No caso dos obesos extremos, o excesso de peso é proporcional ao peso insuportável da emoção no psiquismo. Comem para amortecer a angústia. Comem para amortecer a dor de existir. Precisamos conversar mais sobre os nossos recalques. 

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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