POR QUE AS PESSOAS ESTÃO PERDENDO O SENTIDO DE VIVER?

Do mesmo modo que precisamos de ar, alimento e água para viver, necessitamos, também, de um sentido que nos diga os motivos de continuar aqui.

Ocorre, que não encontramos esse sentido na natureza como encontramos o ar e a água.

Adquirimos o sentido da nossa existência no confronto com o outro. É por não sermos iguais que buscamos a aceitação e o reconhecimento.

Ninguém duvida de que o amor é uma coisa muito boa. No entanto, nunca teremos o amor que gostaríamos – e é exatamente por nunca tê-lo que quereremos muito tê-lo.

É por nada nunca ser, que damos seguimos dando prosseguimento às nossas vidas.

Temos as coisas, adestramos nossos bichos, inventamos máquinas e criamos redes. Ou seja, comprar, cuidar e passar o tempo no mundo virtual não traz muito sentido.

Manipulamos os objetos como queremos, nossos bichinhos  estão sempre ao nosso dispor e bloqueamos  quem bem queremos em nossos espaços cibernéticos. Não há conflito. Em contrapartida, não  há crescimento. Se não  faz diferença, não faz muito sentido viver.

O mundo material, animal e virtual – definitivamente – não nos propícia amadurecimento psicológico – uma vez que não há o princípio do contraditório.

Contudo, o  fato de não amadurecermos, não nos exime de viver a angústia da solidão, o pânico de envelhecer e o desespero de morrer.

Não entendo  como nossos jovens – superprotegidos – lidarão com estas questões no futuro?!

Não é à toa que estamos com uma geração – completamente -desbussolada e buscando alguma forma de contenção de si no álcool, nas drogas e no sexo.

Tem volta? Como já foi um dia, creio que não.

Existe saída? Sim.

Penso que precisamos  pensar uma compulsão sexual que faça algum sentido. Temos que inventar uma dependência alcoólica que mantenha o indivíduo  – de alguma maneira – conectado à realidade. Temos que encontrar um tipo de drogadicção que possa assegurar – de algum modo – a vida preservada – ainda que minimamente.

O sentido – agora – não é mais o abstrato. O sentido é concreto.

Precisamos salvar essa nova geração. O caminho não é mais  pela literatura, pela ética ou pela filosofia. O caminho é pela redução de danos. Ou seja, é pelo saber-fazer. Precisamos atentar se isto que estão fazendo está  – de algum modo – sendo bem feito. Caso contrário, tudo pode acontecer.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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