QUANDO AMAR É DOENÇA …

Nosso amor é uma doença porque só sabemos amar pela metade. Nosso amor é uma doença porque não sabemos amar inteiro. Acho uma idiotice quando dizem que para sermos felizes teríamos que encontrar um grande amor. Encontrar um grande amor quer dizer o memo que encontrar um belo sorriso, uma grande inteligência, um corpo definido, um beijo gostoso e uma boa pegada. Como se fosse possível congelar o amor e como se fosse possível fazer o amor perder toda a sua humanidade e adquirir características de uma coisa constante e regular. Nosso amor é uma doença porque é parcial e porque delimitamos onde começa e onde termina esse amor. Daí, quando é amor, é só felicidade, quando não é amor, é só desespero, rancor e ódio. Sei que seria muito esquisito estender a alegria quando qualquer amor termina – isso seria masoquismo. Contudo, é muito estranho – também – preencher a felicidade que acaba com tanta dor e revolta. Acho que é porque ficamos felizes quando do amor, que ficamos tão tristes quando do desamor. Será que se aprendêssemos sobre o desamor isso mudaria a nossa relação com o amor? Será que nosso amor é só um sintoma do nosso desamor? Será que amamos só para não perder? Como seria o amor se amássemos a solidão tanto quanto amamos o amor? Prescindiríamos do amor se aprendêssemos a amar o desamor? Como seria o amor se amássemos e respeitássemos a liberdade do outro de deixar de nos amar quando ele quisesse? 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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