QUANDO É SAUDÁVEL FICAR COMPLETAMENTE INDIFERENTE…

Ninguém concorda de sofrer por nenhuma perda. Contudo, há perdas insuperáveis, porque são insubstituíveis. Sobre estas, não há o que possamos fazer. Não há palavras que as toque. Não há medicamento que as dope. Não há movimento que as disfarce. Não há reação que as suplante. Não há oração que as exorcize. Ao retirarmos a dor dessas perdas, o que sobrará? Nada. Perante as perdas que só sabemos reagir com dor, não existe melhor antídoto que nada sentir. Precisamos a aprender a exercitar o sentido do nada diante do que nada cabe. Precisamos aprender a tratar o que não tem nenhuma explicação com nenhuma explicação. Não podemos tratar com sofrimento essa coisa da nossa mais absoluta impotência. Nenhuma dor pode ser a solução. Qualquer dor nunca pode ter merecimento. Se não há nada depois da dor, não temos outra alternativa, senão, ficar com o nada mesmo. Precisamos ver algum sentido positivo no uso contemplativo do vazio. Precisamos aprender a não enlouquecer, a não surtar, a não deprimir, enfim, a não colocar a nossa própria vida em risco diante disso que nada podemos. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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