NÃO ENTENDO O MOTIVO DE TANTA ARROGÂNCIA …

Temos que aprender a ficar indiferentes diante do que independe da nossa vontade. Não adianta sofrer quando não somos o desejo do outro. Não adianta desesperar com o fato de que estamos caminhando para um fim. Não resolve lamentar a verdade do espelho. Para esses casos, a indiferença deveria ser uma virtude. Toda a inteligência que desenvolvemos, de nada serve para o que independe do que ansiamos. Para as nossas impotências, o melhor antídoto é a idiotice. Às vezes rimos dos imbecis: em certas ocasiões, eles é que são sábios. Exaltamos nossa superioridade em relação aos animais. No fim, de nada diferenciaremos de qualquer outro elemento da natureza. Como tudo, viraremos pó. Tememos nossa irracionalidade. Melhor seria se a cultivássemos também. Não entendo porque tanta vaidade! Temos que dar conta de fazer cara de paisagem para as nossas rugas. Temos que dar conta de enfrentar – com tranquilidade – nossos mortos: sem flores, rituais, cânticos ou orações. Temos que só lembrar do outro quando estivermos seguros de sua presença. Melhor a imbecilidade quando nada pudermos fazer. Nossas arrogância luta contra a nossa humildade – mesmo sabendo que jamais tudo poderemos. O que não posso, caminha com o que posso. Em algum momento, terei, querendo ou não, de experimentar o meu desejo de nada poder. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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