O TESÃO SÓ DEVERIA DURAR O TEMPO DA CERTEZA DA PRESENÇA …

Seria ótimo se toda emoção boa fosse para sempre. Não é. Não deveríamos colocar emoção no que não estamos seguros.

O tesão só deveria durar o tempo da certeza da presença.

Não deveríamos querer novamente o que pode não voltar. Só deveríamos amar o que podemos. O amor só deveria valer para quando estamos amados. Depois que das dependidas, tudo pode acontecer.

Ao amarmos, deveríamos amar – também – o risco de sermos trocados. Deveríamos amar o risco de o outro não voltar nunca mais. Temos que aprender a amar a experiência da solidão.

Não nos contentamos só quando o outro vem. Queremos que ele volte – e a vida toda. Há quem – sequer – o deixa partir: tudo porque quer mais. Tudo porque quer inteiro.

Podemos e devemos querer com a condição de que seja apenas o que podemos. Querer sem poder é revelador do quanto não sabemos lidar com a falta. Não podemos impor nossos sentimentos à ninguém. O amor só vale se for livre.

Todo amor tem um certo gostinho de quero mais. Querer o tempo todo só funciona para as coisas desprovidas de vontade própria.

No amor, são sempre dois. Pela liberdade de amar podemos ficar no vazio do um. A culpa nunca é de quem vai. Nós é que esquecemos que ninguém é de ninguém. Nós é que nos iludimos de que podemos transformar o outro em um objeto da nossa vontade. Nós é que só sabemos amar detonando o direito do outro de encontrar um outro amor ainda mais amoroso que o nosso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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