DEVERÍAMOS APRENDER A AMAR MAIS O SILÊNCIO…

Gostamos do que na vida pode ser reinventado. Nesse sentido, a fala é uma delicia. Podemos falar de diferentes modos. Podemos fazer poemas, compor partituras, textos, romances, pintar quadros, fantasiar, delirar e sonhar. Pensar é infinito.  Falar é infinito.

Adoramos o que na vida não se esgota porque nos dá a sensação de eternidade.

Quem não gosta de um blá blá blá? Imagina se não pudéssemos jogar conversa fora?

Nossa televisão é barulhenta demais. Nossos professores falam sem parar. Como falam e gritam nossos padres e pastores? Acho que nossas festas excedem demais no volume da música.

Parece-nos impossível sobreviver sem algum barulho. Vamos misturando os sons ou vamos emendando um atrito em outro.

Não conseguimos fazer silêncio nem quando estamos a sós: desembestamos a pensar – e sem conseguirmos controlar o fluxo de nossas ideias.

Nem de boca cheia paramos de falar. Preferimos a sensação de enlouquecer pensando que o esvaziamento completo da mente. Na verdade, só conseguimos viver o teatro do falatório geral.

O ideal seria alternarmos falar e calar. Mas não, mesmo de boca fechada não conseguimos parar de conversar o outro e com os problemas do mundo dentro de nós mesmos. É por isso que nunca relaxamos.

Deveríamos vivenciar as sensações que acabam em si mesmas. Deveria existir menos palavras e mais silêncios.  É o contrário. É por isso que o silêncio tanto nos apavora.

Inventamos deuses e paraísos, porque não sabemos o que fazer com o que não cabe nenhum barulho.

Não sabemos o que fazer com aquilo que a palavra não traz de volta ou não tem nada para colocar no lugar.

Não sabemos o que fazer quando não adianta berrar, esgoelar e estrebuchar.

No entanto, em  algum momento, teremos que nos render ao silêncio. Pena que essa experiência costuma nos ser tão traumática. Infelizmente, nós ocidentais não aprendemos a beleza de amar o nada.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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