A SOLIDÃO É MATEMÁTICA…

Não adianta sentimentalizar a solidão. Não tem como fugir. Não adianta espernear, chorar ou desesperar. Não adianta apegar-se a textos ou a doutrinas. A solidão não tem conceito. Não pode ser interpretada. A solidão é um número. Não há quem se livre dela. É para ser apanhada, possuída e assumida. Mesmo acompanhados, carregamos a solidão da despedida. Ficaremos a sós. Estamos a sós – agora – com o nosso envelhecer e com o nosso morrer. Somos sós com nossos vazios. Temos que dar conta de carregar essa equação de final exato – sem duplo sentido. Somos um tanto de possibilidades, porém, com essa impossibilidade que transborda no final da festa, quando termina a viagem, quando o telefone desliga, quando o outro vira para o lado e quando estamos no escuro sem qualquer ponto de luz. A solidão é essa coisa sem alternativa. Não resolve olhar para ela com tristeza. Também, seria masoquismo olhar para ela com alegria. A solidão é para ser vista sem qualquer reação. A solidão é, está, permanece e ficará. Podemos deixar de ser um tanto de situações. Só não poderemos deixar de ser sós. Podemos inventar qualquer coisa. Porém, tudo o que inventarmos não nos livrará da nossa solidão. Não é a solidão que devora ou mata . Nós é que nos devoramos e nos matamos por não suportarmos essa nossa condição inevitável. A solidão não é para ser combatida. A solidão é para ser carregada …
Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s