NUNCA POSSO DAR TODO O MEU AMOR PARA NINGUÉM…

Ninguém pode ter todo amor de ninguém.

Não posso aceitar o amor de alguém por mim.

Só os loucos estão certos do que têm.

Ninguém está seguro de nada.

Todo amor precisa faltar para fazer algum sentido.

Somos constituídos de uma falta sem objeto.

O sentido é o que falta e não o que completa.

Não é amor se não tiver ausência.

Precisa ser um pouco traumático para ser amor.

Não existe conjunção  entre realidade e representação. O amor é uma representação.

Não existiríamos se fôssemos completos. Movemos porque perdemos.

É por temer perder que cuidamos. É por temer a solidão que amamos, cultivamos nossos filhos, familiares e amigos.

É para encontrar um ponto de conexão que marcamos encontros.  É porque falta que seguimos tentando alcançar o impossível.

Paralisamos quando achamos que é amor.

Ninguém pode dar todo o seu amor para alguém. Ter todo o amor é perder o sentido de amar. Ter todo amor é a morte do amor.

A psicanálise vai na contramão da ilusão de que se pode ter tudo ou ser todo.

Temos a falta como sinônimo de dor. Falta deveria significar invenção ou inovação.

Só é amor quando o que impulsiona é a sensação de que falta amor.

 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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