NEM HOMO NEM HÉTERO: PREFIRO SER BI …

Bom é mais de um lado. Quantos mais lados melhor. Sempre gostei mais de Heráclito que de Parmenides. Nunca gostei da conclusão dos exercícios de matemática. Prefiro poesia. O poema engloba tudo no mesmo verso. Com um lado só posso um. Com dois tenho mais chances. Não importa a quantidade. Importa se é bom. Mal é ser violento. Muito do que dizem ser do mal pode ser do bem. Só posso me fazer bem se me controlo e se não me perco de mim. Alguém pode não gostar de dois lados. Não importa o número de lados. Não importa o que se consome, o que se pensa, com quem se deita, como se veste, com se quem fala e como se sente. Na aparência podemos parecer desconectados. Porém, jamais podemos ser sem alguma finalidade. Podemos ir até o limite. Mas, no risco, temos que recuar ao UM da nossa autoproteção. Podemos ser quantos quisermos. Contudo, nunca podemos é nos perder de continuarmos sendo. Até para continuarmos sendo muitos, precisamos ser UM. Meu UM é ser vários – sem jamais me perder de ser. Meu UM não é uma camisa de força. Meu UM não me priva de viver e de experimentar. Meu UM não me escraviza. Consigo ser na contingência sem me perder da minha unidade. Não é com quantos o que mais importa. Importa é o modo como nos conduzimos. Importa os nossos valores. Todos podem ser – com a condição de não se fazerem mal. Não é a liberdade que deve ser impedida, e sim, o dano e a maldade.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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