POR QUE AUMENTARAM OS CASOS DE SUICÍDIO INFANTIL?

Impossível alguém conseguir sobreviver, minimamente equilibrado, passando a maior parte do tempo enfurnado em dispositivos eletrônicos, sem quase nenhum contato com outro ser humano. Especialmente quando essa pessoa é uma criança. Não podemos tudo. Não sabemos tudo. Envelheceremos e morreremos. Perderemos pessoas amadas. Ficaremos a sós. Enfim, em algum momento, teremos que prestar contas com as nossas angústias de viver. Nenhum dispositivo eletrônico pode nos ajudar com isso. É na convivência que experimentamos essas sensações. É na troca de ideias que podemos antever nossa velhice, que podemos experimentar o fato de nem tudo saber e de nem tudo poder. É também na troca de ideias que adquirimos as ferramentas para lidar com tudo isso que nos é inevitável. O outro nos possibilita experimentar essas angústias e, comumente, na sua diferença, nos testemunha formas de lidar com ela. Uma mãe que entope seu filho de tecnologias, pode estar lançando-o em um abismo de depressão e melancolia. O outro é meu inferno? Também. Isso é bom? Por que não seria? É bom, porque viver não funciona como uma máquina que responde o tempo todo conforme o que esperamos dela. Viver é uma contradição intransponível. Ou abraçamos essa contradição e nos arranjamos com ela, ou veremos crescer, ainda mais, os casos de suicídio infantil. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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