FALE MENOS, POR FAVOR!

Deveríamos usar o silêncio para conter nossas angústias. Sempre necessitamos de algum barulho.  Que seja uma música, um diálogo, a presença de alguém ou mesmo a própria voz ou um gesto qualquer.

Nós, ocidentais, temos pânico do silêncio. Por isso, talvez, somos tão exagerados, escandalosos e compulsivos.

Não tenho dúvida de que o silêncio é a verdade mais aproximada para nossos dramas. Ele não pensa, não fala e não tem sentido. O barulho não preenche. O gesto não termina nunca porque é infinito. Não existe a palavra da palavra. Não existe um conceito que seja definitivo.

Deve ser por isso que queremos colocar palavras na boca dos autistas. No entanto, deveríamos  aprender com seus silêncios.

Não deveríamos entrar em pânico quando tudo falta. Se tudo falta, é porque tudo não existe. Se tudo não existe é porque o nada é maior que tudo. Falar ao infinito não deixa de ser uma alternativa.

Não podemos é achar que existe qualquer coisa capaz de tudo preencher. Só sabemos deprimir nas perdas.

Talvez, pudéssemos aprender a contemplar, a amar e a respeitar um pouco mais o silêncio. Talvez, assim, aprendêssemos a ser um pouco menos arrogantes, mais humildes e mais felizes. 

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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