NÃO PODEMOS FICAR INERTES: TEMOS QUE BOTAR A BOCA NO TROMBONE!

Precisamos acreditar que o rapaz que masturbou na moça, dentro do ônibus, em São Paulo, está querendo nos dizer algo com seu ato. Não podemos banalizar o mal. Estaremos perdidos se não metaforizarmos o que estamos assistindo – diariamente – no Brasil. Temos acreditar que tudo possui duplo sentido. Não podemos tomar o que está acontecendo como o fim. Não podemos achar que não há nada por detrás. Como ficaremos se pararmos de interpretar? Como ficaremos se cessarmos de pensar? Como ficaremos se tomarmos tudo como sendo a verdade? Precisamos ter fé. A fé nos ajuda a entender que as coisas nunca estão terminadas. Alguém precisa dizer algo sobre isso. Onde estão nossos sociólogos, filósofos, antropólogos e cientistas políticos? Temos que sair desse vácuo. Não podemos enlouquecer nesse lamaçal. Deve haver um contexto. Deve haver uma conjuntura. Alguém tem que ser capaz de fazer alguma análise disso. Não podemos parar por aqui. Não podemos achar que o sentido é esse. Deve haver alguma explicação. Alguém precisa dizer alguma coisa. Tem que ter alguma luz no fim do túnel. Tem que ter ao menos um fragmento. Deve haver um fio da meada. Precisamos sair dessa morbidez. É enlouquecedor não ter um sentido. É mais enlouquecedor ainda ficar em um sentido que se sabe que é sem o menor sentido. Estamos atônitos. Alguém tem que escrever – rapidamente – algo sobre isso. Alguém precisa reacender nossa fé, e que aponte uma saída mais humana para tanta desumanidade. Não podemos ficar sem nenhum motivo. Não podemos nos reduzir ao nosso cotidiano achando que vamos passar ilesos disso por muito tempo. Tem que existir um jeito de estancar essa sangria. Precisamos voltar a exercitar nossa capacidade crítica. Só os loucos estão certos de alguma coisa. Não podemos cruzar os braços e achar que não podemos mais nada. Temos que funcionar como um contraponto para esses imbecis que estão achando que podem mandar e desmandar em tudo. Temos que voltar a questionar. Temos que voltar a analisar. Temos que voltar a interpretar. Temos que voltar a combater. Temos que botar a boca no trombone. Temos que dizer do que acreditamos. Temos que dizer da nossa fé no mundo. Temos que começar já!
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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