QUAL É A MINHA CULPA NO SUICÍDIO DO OUTRO?

Somos silêncio quando não sabemos explicar. Ninguém enlouqueceria se tudo soubéssemos. Não haveria depressão. Ninguém teria pânico. Ninguém ficaria ansioso. Ninguém teria compulsão.

Não há palavra para tudo. Na falta da palavra, temos que criar nossa própria língua.

Não nascemos com a palavra. Herdamos o que falamos. O silêncio vem quando a fala da família fracassa. Quando a palavra da religião não mais convence. Quando a cultura deixa de fazer sentido.

Quando o fracasso da palavra é válido? Quando possibilita que cada um invente seu próprio modo de ser. Podemos e devemos nos perder da palavra. Não podemos é nos perder de tudo da palavra.

Precisamos inventar nossos sentidos. Precisamos de alguma comunicação com o nosso entorno. Este comunicar não precisa – necessariamente – ser pela palavra falada. Pode ser por um gesto. Pode ser através de um ato. Pode ser por uma doença. Um vicio. Uma mania. Uma estranheza. Não importa a forma. Importa o fim. Importa que expressemos nossos dramas. Importa que façamos algum laço com o mundo.

Não podemos é nos perder de nós mesmos. Não podemos desistir de expressar nossas angústias. Quantos não estão desistindo agora? Por que? Porque não estão dando conta. Será? Não será porque não estamos sendo capazes de ler e acolher seus dizeres próprios?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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