HOJE, O NORMAL É SER ANORMAL …

Como resolver? Freud acreditou na palavra. Era a palavra ou a loucura. Lacan nos ofereceu deslizar nas palavras.

E para o que não há palavra? Como resolver? Pelo corpo? Pelo delírio? Vale tudo? Não. Vale om a condição de que o indivíduo mantenha alguma ligação com seu entorno – no sentido de não colocar a própria vida em risco.

Antes, quando silenciosos éramos depressivos. Hoje, se silêncio for depressão, não haverá medicamento suficiente para todo mundo – uma vez que parece que a palavra desapareceu.

Antes, certas doenças eram tidas como psicossomáticas, certos usuários eram tidos como drogados ou alcoólatras, certos comportamentos eram vistos como compulsivos e certas magrezas eram tomadas como anorexia.

Nesse nosso tempo de ausência da palavra, de solução pelo corpo e pela loucura, em muitos casos, estamos tendo que concordar com certas saídas.

Dependendo do caso, que bom que a menina ficou anoréxica: poderia ter sido bem pior.

Certas doenças vêm funcionando como um nome que, em certa medida, sustenta o sujeito.

Ao que tudo indica, a palavra evaporou, ficaram as angústias e sobrou o corpo e o delírio como modos de contenção.

Ao que tudo indica, em um futuro bem próximo, não será mais tão anormal ser estranho, depressivo, bipolar, louco, doente.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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