ESTAMOS ARROGANTES E COMPLETAMENTE PERDIDOS …

Antes sofríamos porque as palavras não eram suficientes para abarcar a nossa dor. Por isso, ficávamos neuróticos. Deslizávamos nas palavras. Era o que impedia a nossa loucura.

Antes, parecia que sabíamos que não íamos conseguir, no entanto, não desistíamos de procurar.

O bom da palavra é que ela não abarca tudo. A palavra cria o desejo de saber. Na ausência da palavra vem a arrogância de tudo saber.

O dependente químico está vem por cento certo que a droga lhe é tudo. A anoréxica está segura de sua salvação pela caquexia. O ninfomaníaco está certíssimo de que o sexo é a única coisa que lhe importa na vida.

Até bem pouco tempo, a droga era primeiro palavra e depois ação. Por isso, sabíamos dos riscos. Éramos mais comedidos.

Agora, as coisas ganharam o terreno do ato – e sem a mediação da palavra. Achamos que sabemos tudo. Tomamos as palavras como se fossem coisas. Achamos que tudo podemos.

Nosso saber é sem limites. Banalizamos a existência. Não temos mais a distinção entre o que é o bem e o que é o mal,. Estamos inteiros e completamente perdidos. 

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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