COMO ESQUECER UM AMOR INFELIZ?

Não existe uma tecla para deletar uma pessoa dentro de você. Esquecer um amor infeliz só é possível pelo mecanismo de retomada de si no lugar do outro. O que geralmente perdemos quando estamos amando? Perdemos nosso chão, nossa rotina, nossas coisas e nossos amigos. Dormimos para o outro. Deixamos de alimentar como alimentávamos antes dele. Não olhamos o mundo mais do mesmo modo. Agimos desconcentrados. Arranjamos para ele. Cozinhamos para esse amor. Usamos só o perfume que ele gosta. Planejamos nossas viagens pensando nele. Esse amor toma o nosso amanhã. Colocamos tudo o mais no automático, só por causa dele. Esperamos para gozar, de verdade, só com ele estando presente. Só começamos nosso lazer depois que ele telefona convidando para sair. Sofremos quando abrimos o zap e ele não aparece. Enfim, esvaziamos toda a alegria do nosso entorno em nome da alegria de sua presença. Esvaziamos todo o tempo que temos e colocamos ele preenchendo todos os nossos segundos. Nenhum acontecimento tem sentido se ele não for o acontecimento. Para esquecer esse amor infeliz, só nos resta retomar o que sobrou do que tínhamos antes dele. Precisamos voltar a dormir, comer, fazer atividade física, viajar, passear e divertir por nós mesmos. Na vida temos pessoas, lugares e coisas. Quando trocamos as coisas e os lugares pelos amores, só nos resta retomar a rotina que tínhamos com todo o prazer que ela possuía. Quando a felicidade no amor fraqueja, só nos resta buscar a nossa alegria de viver no que temos e no que podemos fazer. Temos um corpo e podemos movimentar. Temos olhos para ver outras paisagens e ouvidos para escutar outras vozes. Não adianta repetir para si a vontade de esquecer. Amamos uma pessoa do mesmo modo que podemos amar outra. Amamos uma pessoa do mesmo modo que podemos esquecer esse amor voltando a amar os lugares, objetos, viagens, comidas, coisas, livros e discos que amávamos antes mesmo dele existir. Do mesmo modo que começamos a amar esse amor, podemos voltar a amar o que amávamos antes dele. Afinal, se vivíamos muito bem sem ele, por que não podemos voltar a viver?
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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