QUEM SOMOS?

De modo geral, ao perguntarmos quem somos, tendemos a dizer das nossas características físicas, emocionais, espirituais e ideológicas. Ou seja, nos definimos a partir dos elementos que a cultura nos deu para tal. Assim, não somos. Somos, para além de qualquer classificação. Somos, onde não podemos falar de nós mesmos. Somos, em nosso silêncio. Talvez, por isso mesmo, adoramos certas receitinhas fáceis de felicidade. Compramos, com facilidade, as histórias de amor com finais felizes. Não conseguimos sobreviver sem as doutrinas paradisíacas de uma certa vida eterna. Lutamos, ao ponto de cometer atrocidades, em nome de ideologias malucas. No fundo, não estamos querendo salvar o mundo e nem ninguém que amamos. Queremos é salvar a nós mesmos. Como não temos garantias para tal, passamos a vida toda deslizando nessas ilusões de nós mesmos. Na verdade, passamos a vida toda é fugindo de nós mesmos. Onde estamos? Nos intervalos. No respirar entre as palavras. Na imagem que não queremos enxergar no espelho. Estamos onde nenhum nome toca. Estamos na morte sem flores, cânticos e rituais. Estamos no vácuo, no breu e no infinito. Estamos para além dos conceitos, das teorias, doutrinas e ideologias. O que inventarmos aí – seguramente – poderemos dizer da nossa originalidade – mesmo porque nesse lugar nada existe. Ou melhor, esse lugar é só nosso. Cada um tem seu e cada um terá que se arranjar com ele, querendo ou não. Espera-se que nos arranjemos bem ..
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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