O QUE FAZER PARA NÃO ENLOUQUECER HOJE?

Somos – sobremaneira – vulneráveis. Não controlamos o nosso entorno. Não dominamos  o espaço e ao tempo.

Podemos ser surpreendidos – para o bem ou para o mal. É impossível prever o amor do outro.

Contudo, inventamos a palavra para nos proteger. Criamos a cultura como forma de contenção da nossa e da agressividade alheia. Pela palavra, inventamos a vida eterna, os amores, a fonte da juventude, as fantasias e os sonhos de um mundo melhor.

Como ficaríamos se a palavra deixasse de existir? Ficaríamos desamparados? Enlouqueceríamos? Desistiríamos de viver? Não.

Os psicóticos são sobreviventes do silêncio das palavras.

Na impossibilidade do dizer, teremos que construir vestimentas de sentido nem que seja por cifras, gritos, movimentos, sussurros e gestos.

Só por não falar, não significa que o indivíduo seja incapaz de construir algum sentido para o seu desespero.

A palavra não diz tudo – tanto que inventamos a esperança. Não podemos cobrar – dos que estão chegando – algo que sequer sabemos para nós mesmos. Não podemos mais ler o outro a partir de quem somos – mesmo porque não somos completos. Não podemos tomar nosso sentido como sendo único.

Cabe-nos, agora, ler o outro não mais a partir de nós mesmos, mas a partir do modo com que ele se faz existir: nem melhor e nem pior, apenas diferente do nosso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s