MENOS ARROGÂNCIA E MAIS HUMILDADE, POR FAVOR!

Desfaça todas as suas ilusões. Esqueça que a vida é bela. Esqueça que o amor é lindo. Volte para o mundo real. Quebre todas as suas utopias. A política – também – não vai resolver nosso problema. Ninguém voltou aqui para confirmar a existência de vida após a morte. Toda viagem acaba. Todo encontro termina em despedida. Nenhuma beleza é para sempre. Toda festa termina. Não mais parta do lado bom da vida. Sabemos o que fazer muito bem quando tudo está funcionando como gostaríamos. Porém, nada funciona – exatamente – como gostaríamos. Sofremos, porque achamos que a vida é coisa de um lado só: lutamos pela manutenção apenas do lado bom. Sempre recomeçamos pensando positivamente. Sofremos, porque sempre deixamos de fora o outro lado. A questão é que o outro lado nunca desgruda de nós. Esquecemos que quando a coisa está dando certo, é porque ela está dando errado também. Nada é só isso ou só aquilo. Nunca olhamos para o espelho como deveríamos. Não adianta sair por aí fazendo sexo com todo mundo. Tememos o mundo real. Aprendemos a reagir com pânico diante das certezas da vida. Só sabemos angustiar diante das perdas. Desesperamos com a solidão. Disseram-nos que certos medicamentos podem nos livrar das tristezas e nos colocar de volta no caminho da alegria de viver. Doce ilusão! Não sabemos viver de verdade. Só sabemos viver a vida boa. Não existe só a vida boa. Temos que inventar uma linguagem que integre a vida em todas as suas contingências. Temos que saber-fazer quando nossas vontades não são satisfeitas. Não podemos reagir mal. Temos que saber o que fazer não com a pessoa que idealizamos. Temos que saber o que fazer com a pessoa real. Jamais seremos amados como gostaríamos. Sempre seremos decepcionados por quem idealizamos. Se a própria pessoa não nos decepcionar, o tempo se encarregará de nos decepcionar por ela. Temos que aprender a fazer bem feito com o fato de que todo mundo está sempre de partida – contra ou não à sua vontade. Não podemos privar ninguém da sua liberdade. Não controlamos tudo. Precisamos refazer nossa alegria de viver: não mais pela arrogância, pelo poder, pela vaidade ou pelo dinheiro. Terminaremos todos do mesmo jeito. Nada e nem ninguém pode resolver nosso problema. Ninguém é absoluto ou eterno. O mundo só mudará, radicalmente, o dia em que integrarmos esse fato em nossas vidas, e soubermos o que fazer com ele. Menos arrogância e mais humildade, por favor!
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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