NÃO PROMETA AMOR PARA NINGUÉM…

Não jure amar. Não prometa amor. Não tire quem você ama do mundo real.

A questão é que só amamos o amor e odiamos – na mesma medida – o desamor. Ocorre que amor e desamor caminham juntos. Ninguém consegue só amar ou só ser amado.

Podemos – sim – dominar a natureza. Podemos submeter os animais às nossas vontades. No entanto, não podemos privar quem nos ama de nos amar como quiser.

Os amores nunca vão coincidir. Os desejos nunca serão os mesmos. Ninguém é igual.

Não posso me privar do meu amor por mim em detrimento do amor do outro. Não posso me coisificar.

Nenhum amor exclui o desamor. A O amor não é matemático. O amor não tem lógica.

Nós, ocidentais, não sabemos lidar com o contraditório. Dividimos a vida em prazer e dor e adentramos em uma luta louca para suplantar a tristeza. Queremos só amor. Queremos só alegria – como se fosse possível viver sem a tristeza.

Não sabemos o que fazer com a dor – tanto que inventamos a tal pílula da felicidade. Queremos execrar a melancolia – como se não fôssemos envelhecer e morrer.

Olhamos para o desamor como um breu e para o amor como uma luz que tudo clareia. Tomamos o amor como um sentimento que poderia tudo encher de felicidade. Pouco falamos do desamor – como se apenas deixar de falar neutralizasse tudo de pior.

Mudar o sentimento? Impossível. Carregamos o desamor. Mudar a forma de lidar com ele? Sim. Saber fazer com ele? Sim.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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