A FELICIDADE É INFANTIL …

Nosso problema é porque falamos. Porque falamos, queremos o que não temos. É desse jeito –  uma vez que as palavras não são as coisas. Procuramos o amor pelo conceito de amor: nunca o encontraremos. Há um desacordo intransponível entre o que pensamos e o que conquistamos. É por isso que a criança não sofre, não deprime e não assusta: a criança não pensa. Sofremos, porque inventamos  adequar o mundo ao que pensamos. Deprimimos, porque criamos esse nosso descompasso crônico entre a vida que temos e a que gostaríamos de ter. Porque nunca encontramos, desembestamos a pensar novamente e caímos no mesmo dilema: racionalizar e sofrer. Não haveria sofrimento se não pensássemos. A dor é constitutiva da palavra. Se não pensássemos, não saberíamos o que é envelhecer. Se não pensássemos, não saberíamos o que é morrer. A felicidade é imbecil. A felicidade é sem o EU. Qual é o caminho? Não pensar sobre a dor de viver. Somos muito cartesianos. Queremos tudo compreender. Queremos tudo preencher. Nós ocidentais, não fomos acostumados a apenas viver. Não aprendemos a apenas contemplar o sentir. Perdemos a inocência infantil de só ser. Pensamos, para perder. Pensamos, para entrar em pânico. Pensamos, para nos iludirmos de alguma eternidade. Deprimimos, quando a realidade desfaz do que sentimos. Pensamos, para não ser. Não deveria ser assim. Não se trata de ter ou não ter. Trata-se de apenas viver – quase como uma criança quando ainda não sabe diferenciar nada de nada. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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