QUANDO O TRABALHO ADOECE O SER HUMANO…

Temos questões que ninguém pode resolver por nós. É – exatamente – nesse ponto que temos que deixar de ser o outro para sermos nós mesmos.

Não existe ciência, filosofia ou religião para tais questões. Esses enigmas são de cada um. Esses mistérios desafiam a nossa capacidade de tapear o que temos de mais perturbador em nosso existir.

É por isso que não podemos prescindir da nossa liberdade. Qualquer coisa que inventamos nos dá a sensação que não estamos sendo devorados pelo nada.

Quanto menor a nossa autonomia, maior a nossa sensação de vazio. Quanto maior a limitação da nossa capacidade de criar, mais deprimidos e frustrados ficamos.

O mundo deveria nos possibilitar a sensação de que estamos vivos. Quanto mais o trabalho disciplina o nosso cotidiano, mais infelizes e adoecidos ficamos.

Ou criamos e existimos ou adoecemos entregues ao nada. Algo tem que fazer sentido. É inútil fazer quando não é por prazer.

O sentido de um grupo pode não ser o sentido da maioria – especialmente quando a singularidade de alguns é posta de fora da produção desse sentido.

Ninguém trabalha satisfeito só por um salário – especialmente quando esse salário só serve para garantir a sobrevivência e não possibilita outros prazeres que aliviariam as nossas dores existenciais.

Disciplinar o cotidiano e impedir o outro em sua individualidade  é o mesmo que imprimir, nele, o que ele tenta tapear: suas angústias.

Morrer é o mesmo do mesmo. Ninguém deveria decidir por ninguém. Qualquer pessoa só consegue se sentir viva quando enxerga a si mesma nas coisas que está desenvolvendo. Fora isto, é só frustração, angústia e dor.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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