COMO APAIXONAR SEM ENLOUQUECER DE PAIXÃO?

Paixão é idealização. Idealizamos quando transformamos a realidade em crença. A crença tem a ver com o que desejamos e a realidade existe para nos mostrar que o que desejamos nunca existirá como gostaríamos. No entanto, apaixonamos. Como apaixonar sem sair da realidade? Na verdade, a paixão existe apenas porque não suportamos as limitações da realidade. Existe uma forma de apaixonar sem se alienar da realidade? Sim. Apaixone e não permita que o outro perceba o quanto você está apaixonado. Tenha clareza que a sua paixão nutre em você uma pessoa completamente irreal. Se você revelar sua paixão, provavelmente, o outro não te suportará – uma vez que você criou nele alguém que nunca existiu. Há um jeito de se apaixonar sem perder o objeto de sua paixão? Há um jeito de apaixonar de tal modo que a paixão abarque a realidade? Sim. Em primeiro lugar, nunca revele sua paixão. A paixão é para os fracos. Continue apaixonado até que seu sentimento ceda lugar ao mundo real. É na convivência que a realidade do outro virá à tona. Aos poucos vamos percebendo os defeitos, as limitações, as manias e as maluquices desse que, até então, mais parecia um objeto paradisíaco. Só depois disso é que será possível decidir se vale a pena ou não continuar esse amor. Portanto, enquanto estiver apaixonado, não arranque o pé da realidade. Nunca esqueça de que essa pessoa, pela qual você está ensandecido, não existe. Para tanto, faça um esforço, pegue caneta e papel e vai acrescentando, em uma lista, todos os defeitos que você observa nela. Esteja atento ao modo como ela lida com o dinheiro. Preste atenção se faz sentido tudo o que ela fala. Observe se é uma pessoa ansiosa ou depressiva. Verifique se ela sabe o que é uma relação, ou se esta – completamente – perdida na vida. Não podemos ser ingênuos e nos deixar levar por um certo romantismo de revista de fotonovela. Tem pessoas que merecem o nosso amor com todos os seus defeitos e qualidades. Contudo, tem um tanto de pessoas que estão bastante desamparadas de um rumo na vida. Estas – no fundo – só merecem a nossa amizade ou a nossa compaixão.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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