QUAL O SEGREDO DO AMOR?

Não estamos seguros do amor de ninguém. É sempre possível aos nossos amores encontrar amores ainda mais amáveis que o nosso. Ou seja, temos que dar conta de amar o amor e de amar o fantasma do desamor. O que fazer para que o fantasma do desamor não nos tome por completo? O que fazer para amar sem entrar em pânico? Se o amor é o que mais queremos, o desamor tem – também – que tomar parte da nossa condição de amantes. Temos que ceder à realidade do desamor na mesma medida do quanto investimos no amor que temos. Precisamos fazer do desamor um acontecimento real tanto quanto o fazemos de quando estamos amando. No entanto, precisamos ceder ao desamor sem que essa cessão nos seja algo por demais insuportável. O contrário – também – não pode acontecer: ceder ao amor negando toda e qualquer possibilidade de ser desamado. Nenhum amor desenlaçado do desamor pode terminar bem. Temos que nos permitir ao desamor até um ponto favorável que não configure em masoquismo grave. É o mesmo que manter a crença na possibilidade da perda – de tal modo que ela sequer configure uma surpresa caso venha a se fazer real. Estranho seria se o amor fosse da ordem da crença e o desamor da ordem da realidade. O amor é o que mais queremos. Contudo, não podemos abominar o desamor. Podemos crer nele, mantendo-o na borda da possibilidade e da impossibilidade. Que ele permaneça ali, porém, sem nos configurar incômodo significativo …
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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