POR QUE INSISTIMOS NOS MESMOS ERROS?

Ao nascermos, adentramos no universo das palavras. Daí, desembestamos a pensar. Vivemos de blá blá blá. Insistimos, mesmo sabendo que não vamos chegar a lugar algum. Aderimos a doutrinas e brigamos por ideologias. Achamo-nos possuidores da verdade sobre o amor, a vida e a felicidade. Parecemo-nos mais um tambor, ressoando em nossos corpos, palavras de todo tipo que não nos levam à qualquer conclusão. Não sabemos existir fora dessa caixa de ressonância. Passamos a vida toda deslizando em palavras. Mesmo errando, vamos alternando de teorias, ideologias e doutrinas. Viramos escravos da palavra. Só sabemos existir pensando. Existe saída? Sim. Qual? Inventar o nosso próprio idioma. Não mais falar a língua do outro, mas falar a nossa própria língua – ao menos no ponto do nosso prazer de viver. Ou seja, no ponto em que só eu devo saber de mim. No ponto da minha intimidade. Ali onde as luzes se apagam, onde só eu sei de mim e onde apenas eu me escuto. Ali onde estou escrito. Ali onde deixo quem sou falar livremente. Ali onde a boca não é a que trago no rosto. Nunca seremos nós mesmos se formos pela língua que nos obrigaram a falar. Essa língua não tem fim. Não existe a palavra da palavra. Só comigo posso ser como sou. Não devo ser o que querem que eu seja. Não devo colocar nada atrás, ao lado ou na frente de mim. Devo ser como sou. Só posso ser comigo decifrando o que está escrito em mim – sem duplo sentido. Tenho que ser UM comigo.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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