NÃO DEVERÍAMOS LEVAR A VIDA TÃO A SÉRIO…

Não há como viver sem alguma dor. Não enlouquecemos porque conseguimos colocar algo da nossa imaginação nas bordas desse nosso incômodo. Tudo o que vem depois dele é pura fantasia. Só a dor é real – porque nunca cessa. Nossa sobrevivência está na dependência da nossa capacidade de inventar o sentido de viver. Equivocamos quando queremos cobrir tudo. Deveríamos brincar mais com a vida. Deveríamos encontrar outro jeito de enxergar essa dor de existir. Não deveríamos levar a política tão a sério. Não deveríamos tomar a religião com tanta literalidade. Viver não é oito ou oitenta. A vida não é isso ou aquilo. Não adianta combater o incompatível. O que fazer com a dor quando nada a toca? Temos que tomá-la como um acontecimento. Não somos só ciência, só filosofia, só arte ou só angústia. Somos tudo isso junto e misturado. Temos a dor. Só a dor é real. Tudo o que vem depois dela é puro artifício. Nossa qualidade de vida dependerá da nossa capacidade de unificar ciência, filosofia, arte e dor no mesmo infinito laço de viver. Nenhum fanático suporta a dor e todo depressivo acovarda-se dela. Segue, quem consegue ajeitar-se com ela. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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