POR QUE PRECISAMOS DO AMOR?

Se examinarmos – com calma – veremos que não tem o menor sentido viver. No entanto, quem nos colocou aqui, para não pirarmos, deixou-nos uma série de laços para tapearmos essa falta de sentido da vida. Dentre estes, foi nos dado o amor. O amor é o melhor antídoto contra as nossas angústias. Nada de concreto pode confortar-nos do fato de que vamos envelhecer e de que vamos morrer um dia. Não adianta entupir-se de antidepressivos. Não adianta enriquecer. Não adianta plastificar-se. Por quê? Ninguém pode ser amado só por ser rico ou bonito. O amor não se compra. O amor não tem interesse. O amor é livre. O dinheiro não pode ser o fim do amor. A beleza – sim- pode ser o meio do amor: o amor tem que ser o fim. Desse modo, tudo depende do uso que podemos fazer do dinheiro e da beleza. O amor é abstrato. O amor é um sentimento. O amor é o bem, o belo e o justo. O dinheiro deveria ser uma ponte para o amor. A beleza deveria trazer por detrás de si o amor. Talvez, por isso mesmo, hoje, as pessoas estejam tão solitárias e tão depressivas. Perdemos os nossos melhores mediadores para lidarmos com nossas angústias. Colocamos o ter no lugar do ser. Trocamos a profundidade do amor, das artes, da confidencialidade, da cumplicidade, da entrega e do desejo, pela solidão das cifras e das imagens. Ou seja, viramos coisas e tristes.
Evaristo Magalhães -Psicanalista

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