VOCÊ É EXAGERADO NO AMOR?

Quem não gosta de amar e de ser amado? Pena que não temos a garantia de que seremos sempre amados. Esse não é um problema só do amor. Ninguém está seguro de que estará vivo daqui a pouco. Nossa juventude tem data de validade. Contudo, podemos não sobrepor o desamor ao amor, a morte sobre a vida e o envelhecer sobre o vigor. Podemos – sim – trazer o amor, a vida e a atividade para o plano da realidade, porém, sem esquecer que podemos ser desamados, que morrer é uma possibilidade e que estamos sendo puxados para a velhice desde quando nascemos. O melhor jeito de viver é colocando o desamor no plano de uma possibilidade distante, e abraçar tudo de bom que a vida pode nos oferecer. Qual é o problema das pessoas que amam demais? Essas pessoas não conseguem suportar a possibilidade do desamor como existindo – nem no plano da crença. Amam demais como uma doença para esconder a possibilidade de serem desamados. Usam o amor como se fosse um objeto capaz de cobrir todas as dores do viver. Tomam o desamor como uma possibilidade – que deveria ser colocada à distância – como algo tão ou mais presente que o próprio amor. São os desmedidos do amor. Ou seja, sofrem de uma incapacidade crônica de sobreposição do amor sobre o desamor. Não conseguem colocar o desamor em um lugar menor da memória para ser lembrado apenas em situações de extrema necessidade. Sei que vou morrer um dia, sei que vou envelhecer e que vou perder pessoas queridas. No entanto, posso colocar essas verdades no plano das ilusões para só serem utilizadas apenas nos momentos em que tais verdades vierem à tona. Temos que utilizar bem esses nossos recursos mentais. Podemos manusear nossas certezas com realidade e imaginação. Podemos – sim – viver a realidade do amor. Temos o poder – também – de colocar o desamor no plano da imaginação. Isto não significa negar a possibilidade da perda. Isto quer dizer: saber disso não querendo saber muito disso. Podemos – sim – usar muito bem esse recurso imaginário, que temos, a nosso favor, dando a ele um misto de ilusão e de verdade. Sofre por amor quem ama para negar o inegável componente não ilusório de amor. Sofre por amor quem não sabe colocar o desamor em seu devido lugar. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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