POR QUE VOTO LULA?

Muitas pessoas já se irritaram quando uso as expressões direita e esquerda. Entendo por esquerda, uma posição política claramente defensora de políticas públicas voltadas para as classes menos abastadas. Sim, tenho várias questões com a forma como essas políticas foram implementadas no Brasil nos anos dos governos Lula e Dilma – o que, de maneira alguma, as inviabilizam. Por direita, entendo as políticas liberais que não questionam as concentrações, e atribuem ao próprio indivíduo a culpa pela sua desgraça. Também, são políticas que – em certa medida – legitimam o princípio do quanto pior a pobreza melhor, no sentido de forçar o miserável a reagir empreendendo qualquer fim econômico, supostamente, bom para ele e melhor ainda para o sistema. Na verdade, essa direita liberal nunca existiu no Brasil. Aqui os nossos pobres, especialmente os jovens e negros, são tratados como uma geração perdida, excluídos de tudo e assassinados pela polícia ou pelo tráfico de drogas. Nunca fomos liberais. Sempre fomos, politicamente, disfarçados de facistas.
É fato – reconhecido em todo o mundo  – o quanto nossos governos de esquerda tentaram mudar esse quadro. No entanto, sofremos um golpe e estamos sofrendo outros tantos, a cada dia. Nossa direita continua facista na política, para continuar facista na economia e nas relações sociais. Nosso poder não tem mais ética. Nosso poder é inescrupuloso. Nosso poder escancarou todo o seu componente facista. Tudo virou um grande circo. Já sabemos qual será o resultado antes mesmo de qualquer julgamento – tudo isso em nome de certos grupos com o intuito de tomar o poder de volta para si. 
Avaliamos os avanços da nossa esquerda pela forma, escroto-reativa, que a nossa direita vem adotando. Se não fosse assim – pelos avanços que tivemos – nunca retornariam ao poder. Como possuem uma mídia, não menos facista, estão fazendo com que a classe mais miserável subtraia de suas memórias todas essas conquistas e adote o princípio de que a política não serve para mais nada. A ideia é destruir a democracia em troca de uma tecnocracia, quiça ainda mais facista que esta que nos desgovernou durante mais de quinhentos anos. Ainda estamos longe de uma sociedade capaz de resolver suas questões no campo do debate de ideias. Com tanta instrumentalização da política, ficou quase impossível fundamentar teoricamente o sentido da democracia, da república e dos direitos humanos. Infelizmente, só sabemos fazer a política da coisificação do outro.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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