A TRISTEZA FAZ PARTE DA VIDA …

A vida é como um jogo de xadrez: só sabemos da abertura e do final. A infinita variedade de jogadas que se desenvolvem após a abertura, desafia qualquer descrição. Como jogamos? Nossas jogadas nunca são cem por cento: as coisas nunca são como gostaríamos e nossos amores são cheios de problemas. A questão é que achamos que com as palavras resolveremos todos os nossos impasses existenciais. Pensar não é a melhor cartada. Falar também não é. A melhor cartada é colocar o corpo para jogar. No corpo não há enigmas. O corpo tem reações típicas dele. Temos que aprender a aceitar com mais serenidade as escritas próprias do nosso corpo. Não é possível não entristecer ao perder um grande amor. Não há que não tenha medo de alguma coisa. Viver é perder e temer: isso não tem cura. Não sabemos o que fazer com as reações pertencentes ao fato de possuirmos um corpo. Esse corpo não fala e não pensa. No entanto, está tudo escrito nele. Só sabemos questionar o inquestionável do nosso corpo. Temos que dar conta de amar todas as escrituras do nosso corpo – por mais trágico que isso possa parecer. Sofreríamos menos se possuimos mais o nosso corpo. Não adianta lutar contra. Temos que nos arranjar com isso. Não tem nada por detrás. Ninguém é culpado. Vamos amar, odiar, angustiar, alegrar e entristecer. Não adianta espernear, questionar ou revoltar. Não se trata de introduzir nada no lugar. Melhor – talvez – seria intraduzir. Ou seja, não há tradução – uma vez que não somos isso: temos isso. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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