NÃO SE ILUDA, NINGUÉM PODE TE COMPLETAR …

A vida está sempre nos dando a oportunidade de sermos completos com nós mesmos. No entanto, insistimos em buscar nossa inteireza do lado fora de quem somos. Somos como um saco vazio que precisa de uma corda para amarrar a sua boca. Por que vazio? Isso que somos não tem nome. Por isso, dizemos que não somos. Isso que somos não tem referente. Se tivesse, acalmaríamos nessa referência e não enlouqueceríamos. Isso que somos não é. Temos a nós mesmos. Só podemos ter quem somos. Não adiantar descontar na comida. Não adianta buscar nos amigos. Não adianta buscar no amor. Parece que não podemos ter certas coisas. Se as temos, não podemos nos livrar delas. Só conhecemos o caminho de um referente externo para lidar com essas coisas. Tais coisas não são compreensíveis e nem cambiáveis. Aprendemos que para sermos, temos que execrar isso que temos. No conflito entre ser e ter, entramos em pânico – uma vez que o ter jamais será ser. Nenhuma filosofia resolve. Nenhuma ciência resolve. Nenhuma religião resolve. Mesmo assim, insistimos em pensar, pesquisar e rezar. Quanto mais pensamos, pesquisamos e rezamos, mais angustiamos. Não é esse o caminho. Temos que inventar outro. Talvez, tomar a nossa incompletude como parte da nossa completude. Talvez, pensar o que não tem sentido como parte do que tem sentido. Talvez, deixar de pensar a vida como uma luta entre pares de opostos. O ser é a arte, a fuga e a vaidade. O ter é a certeza.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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