NINGUÉM NOS FAZ SOFRER …

Dói perder um grande. No entanto, não deveríamos pensar no amor que perdemos. Deveríamos focar na dor dessa perda. Essa dor não é do amor que partiu: não nos vitimezemos!

Essa dor é nossa – a perda só a atualiza.

Não é de quem perdemos que temos que nos livrar. Não é com a falta do outro que temos que lidar. Temos que ir de encontro ao que é nosso nessa falta.

O fato é que estaríamos faltosos ainda que o outro não estivesse partido. Nada e nem ninguém nos livra dessa falta.

Não há presença suficiente para os enigmas da existência. Nada a supre. Não tem cura. Temos essa falta. Nada a cessa. Nenhum amor a ameniza. Nada a toca.

Não é a ausência que nos faz faltosos. Não existe um culpado.

A questão não é ter ou não ter. A questão é o que fazer. Não é o outro que fará por nós – mesmo porque ele pode estar esperando que façamos por ele. Não dá para atribuir ao outro o que não é dele.

Amar o que não temos: esse é grande desafio. Fazer do que nos falta uma alegria. Dar leveza ao que não temos – essa é a nossa única alternativa.

É masoquismo? Talvez. Mas um masoquismo melhor que aquele da completude impossível. Melhor que aquele que dos amores fracassados pela ânsia de ter tudo.

Quem dera se a plenitude fosse possível: seriamos eternamente felizes. Isso é possível? Talvez sim. No dia em que tomarmos para nós o que nos é inevitável.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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