O QUE É A CARÊNCIA AFETIVA?

Buscamos porque não temos. O que nos falta nos perturba. A carência nos deixa em pânico. Enlouquecemos com esse nosso vazio. Aprendemos que temos que entupi-lo com abstrações e coisas. Dizem que o amor o alivia. Dizem que tem remédio. Dizem que comprar ameniza. Qual amor lhe é suficiente? Qual a dosagem de remédio lhe é ideal? Quanto preciso comprar para ameniza-lo? Impossível saber – uma vez que nada o cessa. Não há limite para essa busca. Não existe nada capaz de suprir essa falta. Ela é infinita. Ela não é medível. Ela é inconstante e irregular. Ela é intermitente. Não é como uma cefaleia que passa com analgésico. Não é pelo amor. Não é pela medicina. Não é pelo consumo. Não tem cura. Não pode ser compreendida. Não pode ser verbalizada. Nada a toca. A carência é o que temos e nunca saberemos porque temos. Não sabemos porque envelhecemos. Nunca seremos amados como gostaríamos. Não sabemos porque morremos. Não adianta entrar em pânico. Não adianta rezar. Não adianta chorar. Por isso, todo amor por carência termina mal, toda droga por carência termina em dependência e todo consumo por carência termina em compulsão. Temos a velhice. Temos o desamor. Temos a morte. Isso é nosso. Nada consegue nos tirar disso. Temos que tomar isso sem querer compreender. Não resolve lutar contra. Não tem substituto. Temos que integrar isso em nós. Temos que nos arranjar com isso. Temos que ter paz com isso – sem subterfúgios. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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