AO MENOS, NÃO MINTA PARA VOCÊ MESMO …

Quero encontrar um outro jeito de dizer de mim com toda a minha verdade. Não quero falar de mim como se fosse possível me livrar do que não gosto em mim, como se eu pudesse ser eterno, como se existisse alguém que pudesse ser a minha felicidade ou como se existisse só um lado de mim.

Quando falo de mim deixo de fora muito do que não posso me privar de me dizer. Não posso falar de mim negando o que me é inevitável.

Não é por me calar que deixo de ser.

Quero um jeito de falar de mim que inclui tudo o que sou – e sem qualquer julgamento moral. Não sou equilibrado, sei que sou perecível  e sei que e a infelicidade faz parte da vida. Quero um jeito de falar de mim que não me dicotomize.

Não quero falar de mim como se eu estivesse em constante negação de mim.

Quero um jeito de falar dos meus erros com a mesma tranquilidade com que falo dos meus acertos. Quero olhar para a minha finitude com a mesma alegria de quando olho para a minha vida. Quero arranjar um jeito em que a minha infelicidade não mais me atormente.

Sei que sofrerei menos quando eu der conta de me admitir contraditório porque ficarei um pouco mais em paz comigo. Sofrerei menos porque deixarei de procurar no outro um tampão para isso que tanto nego em mim. Sofrerei menos porque não mais me vitimizarei quando o outro me disser não poder resolver por um mim um problema que – sequer – ele possui a solução para si.

Enfim, só serei inteiro quando eu parar de me negar em quem – de fato – sou.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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