O MELHOR AMOR É O MEU AMOR POR MIM …

Nosso amor é um vício. Somos viciados em pessoas. Aprendemos que ter alguém é a nossa única salvação. Doce ilusão! O outro não tem o que procuro nele. Ninguém tem. Não posso procurar quando me falta. Isso não é amor, isso é uso. Amor não rima com dor. Não devo procurar para curar minha angústia. Não devo procurar porque estou ansioso. É certo que continuarei angustiado mesmo tendo. Devo – primeiro – me haver com minha angústia que, curiosamente, não deveria ser angústia. Não tem nome isso que busco amortecer no outro. Tenho que carregar isso sem saber do que se trata. É porque esse meu enigma me dói, que que elejo alguém como antídoto dessa dor. Esse enigma não deveria me doer. Tenho que dar conta de amar essa dor sem tomar o outro como meu curandeiro. Não há outro para essa dor. Não há nada para essa dor: não há conceito, remédio, coisa ou pessoa. Esse é o meu masoquismo: dar conta de gostar e de aceitar isso que está em mim e que não sei do que se trata. Tenho que dar conta de tomar esse vazio e de viver com ele. Tenho que dar conta de levá-lo comigo com serenidade e leveza. Penso que o amor pelo outro é uma perfumaria. O melhor amor – mesmo – é esse que sou capaz de sentir por mim enquanto nada. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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