O QUE É A HUMILDADE?

Quem sou? Não posso responder esta questão apenas por minhas qualidades físicas, intelectuais e emocionais. Eu estaria mentindo – mesmo porque tais qualidades não me são concretas, não podem ser medidas em mim, não me são constantes e nem regulares. Tenho que definir quem sou não pelo que sou, mas pelo que não sou. Tenho que definir quem sou não pelo que tenho, mas pelo que não tenho. O que não sou é a minha única verdade. O que não tenho é que prevalecerá. Esse é o meu grande desafio: como me identificar com o que não suporto em mim. No fundo, fujo de mim quando me digo apenas a partir do que sou. Na verdade, o que sou está o tempo todo sendo tomado pela possibilidade de eu deixar de ser. Posso perder tudo o que acho que tenho a qualquer hora. É fato que estou me perdendo de mim e das minhas coisas a cada segundo. Tudo o que sou e tenho passará. É muito fácil me amar onde sou. Difícil é gostar de mim onde estou me perdendo de mim. Tenho e não tenho as pessoas. Tenho e não tenho as coisas. Grande parte das nossas desavenças tem a ver com a nossa dificuldade de lidar com isso que nos compõe e que evitamos ver. Erramos quando vemos o que não suportamos e nos enganamos com doutrinas e ilusões. Somos seres em constante fuga do que não adianta fugir. A saída não é pela arrogância do tudo ser e do tudo ter. Estamos perdendo desde que nascemos e perderemos tudo um dia. Sofreríamos menos se nos definíssemos por esse nosso lado – o único e certo de que somos.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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