VOCÊ É CAPAZ DE AMAR O DESAMOR?

Não seremos amados por ninguém como gostaríamos. Não adianta lutar contra isso. Nosso grande desafio é desenvolver uma forma de pensar que abarque esta realidade sem sofrermos tanto com isso. Ou seja, temos uma tendência em pensar o amor como uma felicidade purificada do desamor. Isso não existe. Temos que inventar um jeito de enxergar a vida que abarque o contraditório – porque a vida é contraditória. Devo cuidar da minha saúde? Sim. Devo cuidar da minha estética? É claro que sim. Só não devo achar que serei salvo pelos cuidados que tenho comigo ou pelas intervenções que farei para amenizar o fato de que estou envelhecendo. Não podemos transformar nosso viver em um campo de batalha contra o nosso não viver. A vida não é isso ou aquilo. A vida não é oito ou oitenta. Na pratica, a teoria nunca acopla o seu contraditório. Há o que não tem sentido. Há o vácuo. Não podemos jogar no lixo o que é literal. Não podemos tratar como dejeto o que não cabe em nenhum conceito. Não existe um pensamento purificado do nebuloso. Muito cuidado com a sua imaginação. Como encontrar um sentido para o que não tem sentido? Como olhar o sem sentido com a mesma alegria de quando achamos que encontramos a verdade da vida? É possível um pensamento sobre o impensável? 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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