NÃO POSSO CULPAR NINGUÉM PELAS MINHAS DORES …

Se perco um grande amor, a dor é minha. Não posso culpar a ninguém pelo que sinto. Se sofro, essa é a resposta que consigo dar aos fatos da minha vida. Tenho é que ver o que vou fazer com isso. Não posso partir para cima de ninguém achando que assim me aliviarei. Nada e nem ninguém poderá resolver minhas dores existenciais. Tenho um corpo e tenho que assumir com ele as reações que ele consegue ter frente às contingências da vida. Não há cirurgia. Não há remédio. Não há cura. Dói muito hoje. Poderá doer menos amanhã. No entanto, sempre doerá. Não adianta entrar em pânico. Nada é como gostaríamos que fosse. Somos assim: contraditórios, paradoxais e incoerentes. O corpo não é como uma mente lógica. O corpo é tudo: dor e alegria, amor e ódio, certeza e dúvida. Não adianta se organizar. Não há previsibilidade. A vida é supresa. A vida é contingência. Tudo pode acontecer. A questão é como saber fazer com isso. Não há resposta que dure. Não há como transpor uma experiência para outra. Não é a razão que controla. Teremos que aprender a começar do zero sempre. Teremos que ir reinventando quem somos o tempo todo. Espera-se que nos reinventemos bem. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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