VOCÊ TEM MANIA DE POSTAR SELFIE NAS REDES SOCIAIS?

Ao nascermos, adentramos na linguagem. Daí, passamos a deslizar nas palavras crendo poder encontrar alguma que apreenda o sentido do nosso existir. Passamos a querer algo que elimine esse incômodo de viver que tanto nos perturba.

Muito dinheiro resolveria? Um bom cirurgião plástico? Uma revolução? Um grande amor? Shopping? Engenharia genética? Paris? Yoga? Cristais? Redes sociais? Será?

Nada resolve. Tanto não resolve que se fôssemos dar prosseguimento a lista ficaria infinita.

Não há solução. Viver não tem solução. Parece que – recentemente – a moda é focar na própria imagem. O mundo virou uma profusão de fotos.

Tanto selfie parece uma tentativa de afirmar e congelar uma imagem de si dizendo-se: olha como sou e serei sempre belo. Doce ilusão!

O corpo está no tempo – e o tempo é rei. Algo sempre escapa à qualquer coisa. Por isso, nenhuma imagem – ainda que bonitinha – pode ser condição felicidade por muito tempo.

Aliás, tantas imagens não evidenciariam uma tentativa de tamponar uma imagem assustadora de si?

Não podemos condicionar nossa alegria de viver a eliminar esse impossível de nós. Precisamos integrá-lo de algum modo – uma vez que ele não cessa nunca de se escrever.

Na vida algo estará sempre opaco – e isso não deveria ser causa de padecimento. Esse é o nosso grande desafio: acoplar o inevitável sem querer tomá-lo como contraditório.

Ou seja, unificar o corpo – com tudo de enigma que ele possui – com alguma alma – e sem pânico.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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