NÃO SEJA ROMÂNTICO…

Só sabemos ser românticos. Aprendemos que não existe outra forma de amar. Disseram-nos que sem amor somos como bichos. Reduziram-nos a amantes ou a seres frios. Sem amor não há vida – dizem. Quem não ama não é feliz – iludem-nos. Aprendemos que não somos nada sem amor. Tememos nos libertar desse amor e cair no nada. Dizem que é amor ou instinto. Será? Daí, desembestamos ao amor romântico. Criamos seres que não existem. Inventamos sonhos irrealizáveis. Fantasiamos um outro completamente apaixonado. Por isso, sofremos antes, durante e depois – porque esse amor nunca será. O amor romântico nunca esgota. Esse amor nunca é suficiente – por isso ele jamais é. Há um outro amor? Sim. Penso na relação mãe-bebê, onde não há esse amor idealizado. Penso que nesse amor bem infantil, os desejos são comunicados e realizados sem o recurso de qualquer fantasia ou julgamento. É um outro amor. É um amor de pele, calor, olhar, intuição e fruição. Um amor puro de amor. Um amor de corpo a corpo: sem ilusões, cobranças e possessões. Um amor que ama de fato. Um amor sem dor. Um amor dos sentidos. Um amor de outra natureza. Esse amor mental que sabemos é o maior engodo. Ou amamos pela língua do corpo ou sofreremos horrores querendo tornar literal um amor que só existe abstratamente. Faça a sua escolha…
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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