QUEM DISSE QUE O AMOR TEM QUE SER DECLARADO EM PALAVRAS?

Somos seres de palavra. Somos quase razão em tudo. Cremos que pensando resolveremos tudo. Cremos em uma felicidade pelo pensar. Contudo, o sentido só é racional? Existe outros sentidos para além da palavra? Há séculos estamos tentando amar a vida, as pessoas e as coisas pela via da palavra. Estamos a procura da palavra da palavra. Passamos o tempo todo deslizando em pensamentos. Será que já não é hora de seguirmos outros caminhos? Será que a nossa alegria de viver não estaria nesse corpo que tanto mortificamos com o recurso do nosso pensar? Penso naquela relação mãe-bebê anterior ao surgimento da linguagem. Uma relação toda débil de sentido. Uma relação onde mãe e filho se entendem muito bem pelo olhar, pelo toque e pelo gesto. Talvez, a mais verdadeira de todas as nossas relações – porque não é feita de palavras e, por isso mesmo, não possui duplo sentido. Temos que atentar para isso em nossas relações. Temos que trazer de voltar o corpo para a nossa felicidade. Perdemos muito pensando. Precisamos aprender a escutar um outro jeito de amar bem menos verborrágico. O outro pode saber dizer de seus sentimentos pelo silêncio das palavras e pelos seus gestos e pelos acontecimentos de seu corpo em nossa direção. Por que não? Não cobre amores declarados. Atente-se para os amores pulsantes, atuados, gesticulados, materializados, vivos. O verdadeiro amor – talvez – seja um amor não tão abstrato e, sim, mais literal e litoral…
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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