O QUE É A DOR DE AMOR?

Nós, ocidentais, somos muito passionais. Especialmente, nós brasileiros que somos de origem latina. Sempre associamos a angústia com o surto, a loucura ou a morte. Não sabemos lidar com as perdas. Somos muito cartesianos. Cremos capazes de dar conta de tudo. Nossa cultura subestima o que temos de mais subjetivo. Doemos e doeremos. A dor é – também – parte do que somos. Há outras saídas? Sim. O fato é que podemos angustiar e, não necessariamente, enlouquecer ou colocar nossas vidas em risco. Podemos deprimir e, não necessariamente, nos entupirmos de Rivotril ou quaisquer outros antidepressivos ou ansiolíticos. Podemos e devemos tomar a dor como parte do nosso existir. Vamos envelhecer e vamos morrer. Vamos perder pessoas queridas. Nunca seremos amados como gostaríamos. Não há solução para estes nossos dilemas. No entanto, podemos nos arranjar com isso de outro modo, para além desse excesso de surtos e de medicalização a que estamos assistindo. Talvez, esse seja o nosso grande desafio no mundo atual: saber lidar com as ausências. Temos que aprender a carregar conosco coisas que não possuem muito sentido. Essa tarefa é de cada um – mesmo porque o outro está nessa nossa mesma condição. Viver é uma invenção…
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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