VOCÊ FAZ O QUE É PRECISO FAZER?

Sofremos quando fazemos mal feito. Sofremos quando não fazemos o que é preciso fazer. Curiosamente, sabemos o que temos que fazer. Para tudo há uma palavra colada. Há uma inscrição sem qualquer traço anterior. Sofremos porque deixamos restos para trás. Isso que poderíamos ter feito fica, e não cessa nunca de nos perturbar. Se o tivéssemos feito, não estaríamos agora incomodados e arrependidos. A dor é minha: eu quem a crio. Erro quando não sou literal. Erro quando não materializo. Erro quando penso demais. Erro quando quando falo demais. Erro quando não assino embaixo. Precisamos parar de criar armadilhas para nós mesmos. Temos que fazer e fechar. Não podemos deixar brechas que vão nos manter prisioneiros do nosso passado sem que olhemos para frente. Temos que fazer e apagar. Temos que fazer e deletar. O negócio é fazer, e pronto. Vamos deixando o mal feito para trás, de tal maneira que passamos a vida toda nos torturando do que não fizemos. Não podemos sofrer pelo que ainda vamos fazer. A cada minuto vem um arrependimento de que, se tivéssemos feito diferente, as coisas não estariam como estão. Vamos deixando feridas abertas para gozarmos da nossa incompetência. Poderíamos viver, mas preferimos morrer por nossa própria culpa. Só lembramos dos nossos erros. Nossos acertos são gozados. Deveríamos lembrar só de quando gozamos. Isso que é a felicidade. O problema é que quase nunca gozamos ou só gozamos pela metade. Vivemos mais de lembranças tristes que de lembranças alegres. Precisamos começar a fazer bem feito agora. Precisamos – urgentemente – quebrar essa corrente de dor. Precisamos execrar esse “poderíamos ter feito de outro modo”. Precisamos ser mais litorâneos. Precisamos ser mais objetivos e menos prolixos. Precisamos resolver nossos dejetos. Precisamos eliminar nossos lixos. Temos que parar de deslizar e fixar mais. Quando é que vamos deixar de viver de dor em dor? Quando é que vamos começar a viver de gozo em gozo? Basta fazer o que é preciso. Só não o fazemos é porque não queremos. Só não o fazemos porque parece que gostamos de sofrer. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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