QUAL É O SEU NOME PRÓPRIO?

Nome próprio é o que temos que inventar para o que não tem nome. Pode ser um som, um gesto ou um traço. Isso que não somos, não pode ficar sem nada – sob o risco de enlouquecermos ou de não suportarmos o nosso existir. Compartilhamos – em certa medida – o sentido das palavras. Não compartilhamos o sentido dos nossos sentimentos. Existimos – relativamente fácil – fora de nós mesmos. Difícil é existir dentro de nós mesmos. A experiência das emoções é muito singular. Cada um vivencia seus amores e suas dores de modo -sobremaneira – particular. Esse é o nosso grande desafio: criar uma assinatura própria para quem não somos. Sem essa assinatura adoeceremos de nós mesmos – como um modo de ser sem se perder por completo. A palavra não dá conta de tudo. Não há palavra completa. Somos no silêncio. É nele que somos originais. É nele que inventamos quem somos. Como nada de fora aí cabe, a existência exige que tomemos uma posição acerca de nós mesmos. Uma posição fora do sentido, não é viável. Uma posição de dor, também não. Por a vida em risco, muito menos. A questão é buscar outras formas de dizer de si para além da palavra falada. Ela não toca essas nossas questões. Por isso, talvez, tenhamos que inventar um modo próprio de dizer. Um modo que toque nisso que tanto nos atormenta. Sendo isso só nosso, o bom é que podemos ir deslocando, apagando e rasurando quem somos. Podemos viver o tempo nos experimentando …
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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