NÃO AMAMOS NINGUÉM…

Não amamos ninguém. O amor é um sintoma da nossa dificuldade de nos bastarmos com quem somos. Damos ao outro não o que temos, porque se tivéssemos não precisaríamos dele. Damos ao outro o que não temos. Não damos conta de nós mesmos dentro realidade. A realidade não é fácil. Ela é composta das coisas que podemos usufruir, mas é também composta da certeza de que – aos poucos – vamos perdendo esse nosso poder de saborear a vida. Por isso, somos afeitos a ilusões. O amor é uma ilusão, porque ameniza a nossa verdade da vida. Não amamos ninguém. Na verdade, usamos as pessoas para aplacar essa nossa incapacidade de lidar com a vida como ela é. Por isso, sofremos quando perdemos. A ausência nos expõe a isso que passamos a vida toda em fuga. O amor verdadeiro não é amar ninguém. O amor verdadeiro é a capacidade de amar isso que o amor ao outro camufla. O amor verdadeiro é o amor a nós mesmos com todas as nossas contradições. Daí, não sofreremos, porque nunca nos faltamos com nós mesmos. Posso amar o prazer que o outro me dá – não porque eu não tenha esse prazer comigo. Posso e devo amar o prazer que o outro me dá apenas pelo prazer que ele me dá. O amor só é válido se for gratuito.
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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