O QUE FAZER QUANDO É A ALMA QUE DÓI?

A dor da alma é a única que não tem cura. Não adianta lutar contra. Freud acreditava que se falássemos dela a entenderíamos. Desembestamos a falar e não chegamos a lugar nenhum – mesmo porque falar não tem fim. Essa dor só pode ser escrita. A escrita é um registro. Ela não se perde. É uma assinatura. É uma constatação. É uma responsabilização. Nenhuma letra é igual. A escrita é como a nossa digital. Escrever é tomar a dor que é de cada um. Viver é também doer. Isso é masoquismo? Não. Temos a possibilidade de tapear a dor. É só o que podemos fazer com ela: enganar a dor com algum prazer e de prazer em prazer vamos levando a vida. Viver não tem cura. A dor é constitutiva da vida. A felicidade, ao contrário dela, é um acontecimento. Tanto que fazendo ou não esforço, vai doer do mesmo jeito. Já, a alegria de viver é um ofício. Não é saber fazer com a dor com outra dor. Saber fazer com a dor é uma arte: os artistas gozam muito bem dela. Haja visto as belezas que os poetas criam com dela. É esse o caminho. Acho que foi para isso que fomos colocados aqui: só vive bem quem sabe se arranjar com a sua dor …
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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