O QUE FAZER QUANDO O OUTRO VAI EMBORA?

O que fazer quando o outro vai embora? Sofrer? Entristecer? Chorar? Não. É preciso esvaziar a boca para começar a comer de novo. Infelizmente, sempre tomamos a ausência como dor. Não podemos gozar só com a presença. A constância tende ao repetido. Para gozar é preciso faltar. Com o outro, posso não gozar comigo. Posso gozar por ele: tenho que fazer sempre junto e tenho que dar satisfação de tudo. Com o outro, posso perder minha autonomia. É preciso aprender a estar não estando. Contudo, sem o outro posso me redescobrir em meus prazeres de viver. Sem o outro, olho mais para mim e para as minhas coisas. Sem o outro posso reacender-me. Não podemos tomar a falta como pura negatividade. Parece que tememos gozar conosco. Não posso depender do outro para me descobrir, me tocar e saborear minhas sensações. Tem que ser bom também sem ele. Sem ele, tenho um olhar a menos: livro-me de ser julgado. Temo perder porque não sei gozar de mim. Mesmo estando com o outro, não posso deixar de gozar de mim. Ele nunca será só meu cem por cento. Ele pode partir para sempre. Sofro, quando esqueço do meu gozo ou coloco a minha alegria de viver na dependência da alegria de viver do outro. Não posso – nunca – desaprender de gozar de mim.
Evaristo Magalhães -Psicanalista

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