QUANDO NÃO SOFREMOS DE JEITO NENHUM…

Não sofremos quando conseguimos que as palavras nasçam tatuadas da nossa carne. Não sofremos quando as palavras vêm com o vapor da nossa genética. Sofremos quando somos definidos e não nos definimos. Tenho que sentir prazer do que penso de mim. Primeiro tenho que gozar comigo. Não posso vacilar com meu prazer de mim – mesmo quando eu encontrar pessoas que não compartilhem do meu jeito de gozar comigo. Não posso ser um zumbi, um autômato ou ventríloquo do mundo. Sei quem sou quando harmonizo o que penso de mim com o que sinto de mim. Tenho que inflar minhas palavras com meu prazer de viver. Não posso dizer me contrariando. Não posso me culpar quando sei que não fui quando eu poderia ter sido. Não posso ser um covarde de mim. Tenho que me trazer para centro de tudo de mim. Não posso me jogar do lado de lá ficando do lado de cá como um retardado. Não posso ser um dejeto de mim. Por mais que o mundo queira que eu me contrarie para me submeter a ele, preciso fazer o caminho inverso de mim para o mundo. Tenho que descobrir minha própria gramática. Tenho que me escrever em mim. Tenho que me traduzir nas palavras que realmente sou. Se não for em palavras, melhor ainda ainda se for em uma letra. Quanto menos ao outro e mais a mim, melhor.Evaristo Magalhães – Psicanalista

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